quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Estudo Indica que Missões Prolongadas Prejudicam a Visão dos Astronautas

Os cientistas sabem há muito tempo que o voo espacial prolongado leva a mudanças no corpo humano, tais como atrofia muscular, perda de massa óssea e mudança de fluido. Evidências coletadas, sugerem por que os astronautas possam estar enfrentando problemas visuais como resultado das condições de voo espacial.



O experimento biológico Bion-M1, da Russia, revelou uma visão mais aprofundada sobre a questão da deterioração da visão do astronauta no espaço.

Lançado ao espaço em 19 de abril, o primeiro satélite de pesquisa biológica da Rússia desde 2007, colocou em órbita um zoológico de 2.450 kg  para retornar à Terra 30 dias depois.

A duração prolongada da missão permitiu aos pesquisadores uma melhor compreensão dos efeitos que a exposição a voos espaciais de longa duração tem sobre os organismos vivos. Com 45 camundongos, 8 gerbos da Mongólia, 15 lagartixas, lesmas, caracóis, e recipientes de microorganismos e plantas a bordo, Bion-M1 orbitou a Terra em uma missão de 30 dias. O voo, infelizmente, foi fatal para todos os roedores e 29 ratos, no entanto, uma visão fundamental sobre os mecanismos por trás dos problemas visuais foi adquirida.

Vice-Diretor do Instituto de Estudos Médicos e Biológicos da Rússia, Vladimir Sychev explicou:

Costumávamos pensar que em gravidade zero, o fluido viajou para cima e que a qualidade do sangue melhorou, mas verifica-se que é o contrário. As artérias do cérebro estão sob coação e sua capacidade é reduzida em 40 por cento.


O instituto também reuniu dados valiosos sobre a influência das viagens espaciais sobre a medula espinhal, ouvido interno e os processos a nível genético. Bion-M1 mostrou que a capacidade das artérias cerebrais diminui muito no espaço, um sintoma de intolerância ortostática. Provocado por uma interrupção do fluxo sanguíneo, intolerância ortostática é comum nos astronautas ao voltar para a Terra e reajustar a gravidade.

Falando à revista Segurança Espacial, Charles Bourland comenta sobre a comida espacial:

Há um procedimento para reduzir o sódio [nos alimentos espaço] porque havia alguma evidência de que a alta de sódio pode contribuir para problemas de visão que eles tiveram em algumas das missões.

Uma pesquisa a partir de 2012 na revista Radiology analisou imagens de ressonância magnética de astronautas que retornam de pelo menos um mês no espaço e confirmou que a mudança do fluido também contribui para a perturbação visual, resultado da pressão intracraniana.

Atualmente, os astronautas podem viver a bordo da Estação Espacial Internacional por mais de seis meses. No entanto, uma missão para Marte pode levar anos. Sem mais pesquisas dedicadas ao olho e anomalias da visão no espaço, há uma chance de astronautas em desenvolverem algum dano grave da visão ou até mesmo cegueira.
Tal pesquisa é, portanto, vital para garantir que os seres humanos se tornam capazes de viajar no tempo-duração, missões interplanetárias mantendo a sua saúde.


fonte: http://www.spacesafetymagazine.com/2013/10/21/focus-spaceflight-blurrier-time/

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Nave futurística cairá na Terra em Outubro

A sonda espacial GOCE é considerada a mais bela nave já enviada ao espaço.[Imagem: Agência Espacial Européia]

Estrela cadente


Depois de mais de quatro anos mapeando a gravidade terrestre, a sonda espacial GOCE está chegando ao fim de sua missão.

E, considerada uma das mais belas naves já fabricadas, seu fim será digno de uma estrela: ela vai se queimar ao reentrar na atmosfera.

O problema é que ela não vai queimar-se totalmente e, como sua reentrada não é dirigida, não se sabe onde ela cairá.

Enquanto a maior parte da sonda se desintegrará na reentrada, várias partes poderão atingir a superfície da Terra.

A ESA (Agência Espacial Europeia) afirma que não é possível prever onde e quando a GOCE cairá.

A reentrada deverá ocorrer cerca de três semanas depois de ter acabado o combustível da nave, porque sua órbita é muito baixa, pouco mais de 220 km de altitude, uma das mais baixas já usadas.

É devido a esta baixa altitude que a GOCE tem esse design "aerodinâmico", para minimizar o arrasto, que é significativo em uma órbita tão baixa.

Para se manter em uma órbita tão baixa, a sonda é impulsionada continuamente por um motor iônico, cujo combustível deverá acabar entre o final de Setembro e o início de Novembro - a data prevista é 16/17 de Outubro, com incerteza de duas semanas para mais ou para menos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Satélites artificiais não caem devido a imperfeições da Terra

Com informações da New Scientist - 17/10/2013

Desde o Sputnik, o primeiro satélite
artificial a orbitar a Terra, dezenas
de milhares de outros seguiram
seu caminho - e muito poucos
deles caem.[Imagem: NSSDC/NASA]
Nosso planeta está cercado por mais de 1.000 satélites artificiais em pleno funcionamento e por uma
Estação Espacial enorme, além de milhares de toneladas de lixo espacial.

Felizmente, em geral a maior parte deles fica lá em cima bem tranquila.

Mas, surpreendentemente, parece que só agora estamos realmente entendendo por que os satélites giram estavelmente ao redor da Terra.

Por que os satélites não caem?


Em condições ideais, um pequeno satélite em órbita de um planeta que fosse perfeitamente esférico permaneceria lá para sempre, assumindo que nada o perturbasse diretamente.

Mas a Terra não é uma esfera perfeita, e há um monte de outros objetos que podem perturbar os satélites artificiais na órbita baixa.

Entre esses objetos está, em primeiro lugar, e de forma mais significativa, a Lua.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Higgsogênese pode explicar matéria escura

Interações bósons-atibósons de Higgs podem ter provocado a assimetria entre matéria e antimatéria

Por Eugenie Samuel Reich e revista Nature
Interações bósons-antibósons de Higgs
podem ter provocado a assimetria entre
matéria e antimatéria.

Um enigma fundamental da cosmologia talvez possa ser solucionado pela descoberta do bóson de Higgs, em 2012. O britânico Peter Higgs, de 84 anos, e o belga François Englert, 80, foram agraciados nesta terça-feira, 8 de outubro, com o Prêmio Nobel de Física de 2013.

Dois físicos sugerem que o Higgs teve um papel crucial no Universo primitivo ao produzir a diferença observada entre o número de partículas de matéria e antimatéria e determinar a densidade da misteriosa matéria escura que compõe cinco sextos da matéria no Universo.

Em um artigo aceito para publicação em Physical Review Letters, Sean Tulin, da University of Michiganem Ann Arbor, e Géraldine Servant, do Instituto Catalão de Pesquisa e Estudos Avançados em Barcelona, na Espanha, afirmam que pode ter havido uma assimetria entre o bóson de Higgs e seu complemento de antimatéria, o antibóson de Higgs, no Universo jovem.

Água em asteroide sugere existência de exoplanetas habitáveis

Impressão artística de um asteroide rico em água sendo despedaçado pela influência gravitacional de uma estrela.[Imagem: Mark A. Garlick/University of Warwick/University of Cambridge]

Água e rochas


Astrônomos descobriram os destroços de um asteroide que continha grande quantidade de água.

Isto sugere que a estrela GD 61 - localizada a cerca de 150 anos-luz da Terra - teve o potencial para conter exoplanetas semelhantes à Terra.

"Teve" porque a GD 61 é uma estrela já exaurida, uma anã branca, já no fim de sua vida. Qualquer exoplaneta que de fato exista em sua órbita não terá mais calor suficiente para apresentar água em estado líquido.

Embora a água tenha sido detectada nos restos do que um dia foi um asteroide, os astrônomos acreditam que isto é indício suficiente da ocorrência simultânea de água e superfície rochosa - dois "ingredientes-chave" para planetas habitáveis pelo homem - em outro corpo celeste que não a Terra.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Cometa pode se chocar com Marte em 2014


NASA/JPL-Caltech/UCLA
O cometa recém-descoberto te diâmetro entre 8 e 50km.

Por Joe Rao e Space.com

Um cometa recém-descoberto parece estar a caminho de passar muito perto do planeta Marte em outubro de 2014, e existe uma chance – ainda que pequena – de colidir com o planeta.
O novo cometa C/2013 A1 (Siding Spring) foi descoberto em 3 de janeiro de 2013 pelo astrônomo escocês-australiano Robert H. McNaught, um prolífico observador de cometas e asteroides que tem 74 descobertas de cometas no currículo.
McNaught é um dos participantes do Siding Spring Survey, um programa que caça asteroides que podem se aproximar muito da Terra. Descobriu o novo cometa usando o Telescópio Uppsala Schmidt, de50 metros, no Observatório Siding Spring,em New South Wales, na Austrália.
Imagens anteriores à descoberta do cometa, feitas em 8 de dezembro de 2012 pelo Catalina Sky Survey, no Arizona, foram encontradas rapidamente. Como o cometa foi descoberto como parte de sua busca por asteroides, ele tem o nome do observatório, Siding Spring. Oficialmente ele está catalogado como C/2013 A1.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Estrelas frias confundem fronteira entre estrelas e planetas

Apesar de pequenos e frios como planetas, esses corpos celestes são catalogados como anãs-marrons.[Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Estrelas planetárias


Estrelas costumam ser muito quentes.

Mas, como nada é para sempre, até mesmo as estrelas esfriam.

Por isso, os astrônomos estão constantemente em busca de estrelas cada vez mais frias, não apenas por curiosidade, mas para entender seu processo de envelhecimento.

Dois anos atrás, o telescópio espacial WISE da NASA descobriu uma nova classe de corpos celestes muito frios que começaram a confundir a fronteira entre estrelas e planetas.

No entanto, até agora ninguém sabe exatamente qual é a temperatura na superfície dessas "estrelas planetárias".

Cálculos iniciais sugeriam que elas poderiam ter a mesma temperatura ambiente da Terra, levantando a hipótese de que essas estrelas frias poderiam ter nuvens.

Contudo, um estudo mais aprofundado concluiu que esses corpos celestes são realmente as estrelas mais frias que se conhece, mas não são tão frias quanto se pensava.

Os novos cálculos apontam para temperaturas entre 120 e 175 graus Celsius.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Paralisação federal ameaça lançamento de sonda da Nasa

Concepção artística mostra a nave espacial MAVEN, da NASA, orbitando Marte. A missão deverá ser lançada no final de 2013.
Se não for lançada até dezembro a nova missão a Marte será adiada para 2016


Por Mike Wall e SPACE.com

A inatividade parcial congelou os preparativos para o lançamento da nave espacial Mars Atmosphere and Volatile Evolution, conhecida como Maven, programado para 18 de novembro a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral na Flórida. A sonda tem até 7 de dezembro para decolar; depois disso terá de esperar 26 meses para um novo alinhamento propício entre os dois planetas.

A atual situação é preocupante, mas ainda não é hora de entrar em pânico, afirmam os membros da equipe Maven. [Para saber mais sobre como a paralisação do governo afetará a ciência e a saúde visite o site http://www.livescience.com/40075-how-shutdown-will-impact-science.html (em inglês)]

“É claro que estamos preocupados, mas temos uma margem de folga em nosso cronograma. Mas a equipe está absolutamente empenhada em decolar nessa oportunidade de lançamento”, comentou o principal pesquisador da equipe Maven Bruce Jakosky, da University of Colorado em Boulder. “Se isso significa trabalhar em turnos dobrados, sete dias por semana, faremos isso”.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O Avanço da Astronomia no Brasil




        Realização da assembleia da IAU no Rio é reconhecimento da capacidade de nossos astrônomos
Augusto Damineli

    A astronomia brasileira está conquistando um novo estágio em sua história. Isso ficou claro na realização da Assembleia Geral da IAU no Rio de Janeiro, entre 3 e 14 de agosto passado. Na avaliação dos aproximadamente 2.500 cientistas participantes, o encontro foi um dos melhores dos últimos tempos.

    A escolha das sedes das assembleias da IAU é definida especialmente pelo interesse da comunidade internacional pela atividade astronômica no país e pela competência dos anfitriões em organizar um evento tão complexo como esse. Ao longo de duas semanas foram realizados 31 congressos, sendo 19 deles com brasileiros em seus comitês científicos.

      Essa participação não foi apenas por cortesia dos estrangeiros, pois a reputação de um congresso é avaliada pela estatura científica do comitê. A comunidade internacional já havia notado que nossa astronomia cresce a uma taxa acima de 10% ao ano em termos de publicações e formação de doutores desde 1970. Esse crescimento é ímpar no mundo. Além disso, o Brasil tem investido em projetos de grande porte, como os telescópios Gemini de 8 metros (no Havaí e Andes chilenos) e o Soar de 4 metros (nos Andes chilenos). Alguns de nossos astrônomos têm demonstrado competência na gestão desses projetos, como também em comissões internacionais que publicam revistas científicas e a própria IAU, onde temos a vice-presidência.

sábado, 5 de outubro de 2013

Sputnik: 56 ANOS DE SONHOS E DESCOBERTAS

O Sputnik 1, integrante do programa Sputnik, foi o primeiro satélite artificial da Terra. Lançado pela União Soviética em 4 de outubro de 1957 na Unidade de teste de foguetes da União Soviética atualmente conhecido como Cosmódromo de Baikonur.

Photo taken and edited by de:Benutzer:HPH on "Russia in Space" exhibition (Airport of Frankfurt, Germany, 2002)
O Sputnik 1, era uma esfera de aproximadamente 58,5 cm e pesando 83,6 kg. A função básica do satélite era transmitir um sinal de rádio, "beep", que podia ser sintonizado por qualquer radioamador nas frequências entre 20,005 e 40,002 MHz , emitidos continuamente durante 22 dias até 26 de outubro de 1957, quando as baterias do transmissor esgotaram sua energia.

O satélite orbitou a Terra por seis meses antes de cair. Apesar das funcionalidades reduzidas do satélite, o Sputnik 1 ajudou a identificar as camadas da alta atmosfera terrestre através das mudanças de órbita do satélite.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Buraco negro dentro de chip confirma teorias de Einstein

Além do horizonte de eventos - a fronteira além da qual nada escapa - os buracos negros possuem uma região chamada esfera fotônica, uma região onde o espaço-tempo é fortemente curvado. [Imagem: Sheng et al./Nature Photonics]

Lente gravitacional


Segundo a Teoria da Relatividade de Einstein, corpos de grande massa fazem a luz se curvar, um efeito chamado de lente gravitacional.

Isso acontece porque a enorme gravidade deforma o espaço-tempo, fazendo com que o caminho mais curto para a luz ao redor de uma estrela maciça, por exemplo, seja uma curva.

Não é possível criar um buraco negro em miniatura para demonstrar coisas desse tipo em sala de aula, mas é possível deixar a gravidade de lado e reproduzir o fenômeno da lente gravitacional usando apenas luz.

Foi o que demonstraram C. Sheng e Hui Liu, da Universidade de Nanjing, na China, que são especialistas em metamateriais.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Descoberto elo perdido na evolução dos pulsares

Com informações da ESA - 30/09/2013

Os pulsares giram a grande velocidade, emitindo pulsos de radiação eletromagnética centenas de vezes por segundo, como se se tratasse de um farol. [Imagem: ESA]

Pulsar milissegundo


Uma equipe internacional de astrônomos detectou um "pulsar milissegundo" em uma fase crítica da sua evolução, quando o objeto passa da emissão raios X para a emissão de ondas de rádio.

Os pulsares são estrelas de nêutrons magnetizadas, núcleos mortos de estrelas massivas que explodiram como supernova quando esgotaram o seu combustível - dependendo do assunto e da abordagem eles também são chamados de buracos negros.

Os pulsares giram a grande velocidade, emitindo pulsos de radiação eletromagnética centenas de vezes por segundo, como se se tratasse de um farol. A análise destes pulsos revela que o seu período de rotação pode ser de apenas alguns milissegundos - daí o nome "pulsar milissegundo".

Os pulsares são classificados em função da forma como geram suas emissões. Pulsares de rádio obtêm sua energia da rotação do seu campo magnético, enquanto os pulsares de raios X se alimentam de um disco de acreção formado pela matéria que arrancam de uma estrela companheira.

As teorias atuais sugerem que as estrelas de nêutrons aumentam sua velocidade de rotação à medida que acumulam a massa procedente da estrela companheira. Quando o material do disco de acreção cai em direção à estrela, ele aquece e emite raios X.

Depois de vários milhões de anos, a velocidade de acreção diminui e os pulsares acendem-se de novo, mas desta vez emitindo ondas de rádio.

Os astrônomos acreditavam que existisse uma fase intermediária na qual as estrelas de nêutrons oscilam entre estes dois estados, mas até agora não se tinha ainda encontrado provas diretas e conclusivas que suportassem esta teoria.