sábado, 30 de maio de 2009

[Artigo] 2009: Ano Internacional da Astronomia. Por que e pra quê?


Por Renato Las Casas

Em sua opinião, o que aconteceu de mais importante na Astronomia, em todos os tempos?

Há anos costumo fazer essa pergunta. As respostas têm sido muito variadas. Variam inclusive com o grau de instrução das pessoas questionadas.


A grande maioria das crianças, estudantes do ensino fundamental, tem respondido haver sido a descoberta de que a Terra não é o centro do universo ou a descoberta de vivermos em um mundo esférico. Até hoje, nessa classe de estudantes, a resposta “invenção do telescópio” tem aparecido em terceiro lugar.

Estudantes do ensino médio variam mais as suas respostas. As três que mais têm aparecido, mais ou menos em igual número, acredito serem: a Terra não é (ou está) no centro do universo; ida do homem à Lua e invenção do telescópio.

As respostas dadas por estudantes do ensino superior, das mais diversas áreas, têm sido muito parecidas àquelas dadas por estudantes do ensino médio, porém, com a resposta “invenção do telescópio” se sobressaindo em relação às demais. Estudantes da área de exatas também têm respondido, com freqüência, haver sido a formulação da Teoria da Relatividade de Einstein.

Responder essa pergunta não é fácil. Foram tantos grandes e importantes passos dados pela humanidade nessa área... Considero válidas todas as respostas mencionadas acima. Cada descoberta teve a sua importância em sua época. Como poderíamos saber que a Terra não é o centro do universo se ainda pensamos que vivemos em um mundo plano?!

Porém a fundamental importância da invenção do telescópio para o nosso conhecimento (e pensamento!) atual é inquestionável.

Em 2009 completam-se 400 anos das primeiras descobertas realizadas com o recém inventado telescópio.

No início de 1609 Galileo Galilei teve noticia de um invento holandês, à venda nas maiores cidades européias, destinado principalmente a melhor visualização de espetáculos de ópera. Percebendo amplas possibilidades científicas para o que até então era considerado um brinquedo, Galileo descobriu o seu funcionamento e o transformou no instrumento responsável por descobertas que transformaram significativamente nosso conhecimento e pensamento.

As primeiras descobertas de Galileo com o seu recém inventado (ou transformado) instrumento foram publicadas em março de 1610, na obra intitulada Sidereus Nuncius, ou “Mensageiro das Estrelas”.

Embora em grande parte do Sidereus Nuncius Galileo se dedique a “bajular” o grão-duque Cosimo de Médici, procurando obter o cargo de matemático e filósofo particular desse nobre, é evidente a pressa que Galileo teve em publicar suas mais recentes descobertas, antes que alguém o fizesse.

As primeiras anotações científicas feitas por Galileo a partir de imagens visualizadas com telescópio teriam sido feitas em Pádua, na noite de 30 de novembro de 1609. Foram dois esboços da superfície lunar feitos com tinta e pincel em uma folha de papel especial para pintura. Em dezembro de 1609 Galileo acrescentou outras quatro imagens lunares a essa folha.

Em uma série de observações realizadas na primeira quinzena de janeiro de 1610 Galileo observou quatro “estrelas” companheiras de Júpiter, que seguiam esse planeta, girando ao seu redor. Galileo sabia que um dos principais questionamentos que vinha sendo feito por aqueles que insistiam na teoria geocêntrica, era “-Como uma Terra em órbita em torno do Sol, podia levar a Lua junto com ela?”. Todos concordavam que Júpiter se movia no espaço (em órbita em torno do Sol ou em órbita em torno da Terra) e o telescópio estava mostrando que mesmo assim Júpiter conseguia arrastar com ele objetos girando em seu entorno.

A pressa em publicar tais descobertas foi tão grande que em um processo considerado muitíssimo rápido até nos dias atuais, aproximadamente sessenta dias depois dessas ultimas descobertas, Sidereus Nuncius, contendo relatos e anotações dessas primeiras observações de Galileo, era publicado pelo tipógrafo de Veneza. (No Sidereus Nuncius, Galileo homenageia Cosimo de Médici denominando as luas de Júpiter de “Estrelas dos Médicis”, além de ocupar grande parte da obra com o horóscopo desse grão-duque.)

Somando-se ao aniversário de 400 anos dessas descobertas a reconhecida necessidade de se difundir amplamente “cultura científica”, a 62ª Assembléia Geral da ONU, em 20 de dezembro de 2007, proclamou 2009 o “Ano Internacional da Astronomia”.

Em 23 de julho de 2003, a Assembléia Geral da União Astronômica Internacional (IAU), realizada na Austrália, havia aprovado resolução a favor da proclamação de 2009 como o “Ano Internacional da Astronomia”. Coube à Itália a iniciativa da apresentação dessa proposta à UNESCO (órgão da ONU para assuntos de Educação; Ciência e Cultura) que a recomendou às Nações Unidas.

A coordenação mundial das ações para operacionalização dessa proclamação está sendo realizada pela UNESCO e pela IAU.

São metas do Ano Internacional da Astronomia:

- Difundir na sociedade uma mentalidade científica.
- Promover acesso a novos conhecimentos e experiências observacionais.
- Promover comunidades astronômicas em países em desenvolvimento.
- Promover e melhorar o ensino formal e informal da ciência.
- Fornecer uma imagem moderna da ciência e do cientista.
- Criar novas redes e fortalecer as já existentes.
- Melhorar a inclusão social na ciência, promovendo uma distribuição mais equilibrada entre os cientistas provenientes de camadas mais pobres, de mulheres e minorias raciais e sexuais.


Considero astronomia a melhor porta de entrada para o conhecimento científico (para crianças e para adultos). Por um lado, isso se deve ao grande interesse que as pessoas têm, em geral, em relação às questões astronômicas; por outro lado, às ligações muitas vezes íntimas da astronomia com praticamente todas as áreas da ciência; etc. Para atingir as metas especificadas acima, nada melhor que a utilização da astronomia como veículo.

Mas em que essa difusão do conhecimento científico pode ser importante? Haveria mesmo uma necessidade de popularização da ciência? Como isso pode melhorar a nossa vida?

Temos várias razões para acreditarmos ser a “alfabetização científica” uma necessidade das sociedades atuais, assim como um direito de todos os cidadãos!

Vamos começar falando de economia. Países, mundo afora, que investiram em educação científica, estão aí, para dar o exemplo (Japão; China; Coréia do Sul; etc.). Conhecimento científico gera riquezas; atualmente, mão-de-obra necessária para a geração de riquezas tem que ter formação científica!

Politicamente falando, acreditamos ser direito de todos os cidadãos terem condições de opinar em todas as questões relevantes para a sociedade, questões essas que irão influir ou já influem em suas vidas. Cada vez mais encontramos questões científicas importantes sendo discutidas com pouco conhecimento e muita paixão pelos mais diversos setores da sociedade. Quer exemplos? – Qual a culpa do homem no aquecimento global? – Você é a favor do uso de células-tronco embrionárias pela medicina? – Até que ponto você é a favor dos alimentos transgênicos?

Termos uma base científica, nos dias de hoje, ajuda até em nosso equilíbrio emocional. O rápido progresso tecnológico característico de nossos dias tem nos feito cada vez mais utilizar máquinas que desconhecemos completamente o seu funcionamento. Sabemos apenas apertar botões e esperar pelo resultado de termos apertado esse ou aquele botão. Vemos essas máquinas como caixas cheias de mistério. Isso em geral nos leva a não nos sentirmos completamente integrados ao mundo em que vivemos; incapazes de prevermos o seu futuro, quanto mais de propormos caminhos.

Renato Las Casas é Professor do Departamento de Física e Coordenador do Grupo de Astronomia da Universidade Federal de Minas Gerais.

Sacudida primordial


Há quase 4 bilhões de anos, a Terra foi bombardeada impiedosamente, atingida por asteroides quase tão grandes como o Estado de São Paulo. Mas o evento, que em teoria poderia extinguir qualquer vida em potencial que existisse no momento, pode ter provocado justamente o contrário.


De acordo com um estudo feito por dois pesquisadores da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, e publicado nesta quinta-feira (21/5), na revista Nature, os impactos deram um impulso para o desenvolvimento da vida no planeta.

Evidência de tais choques foi encontrada na Lua, em meteoritos e na superfície de planetas como Mercúrio e Marte e indica um ambiente extremamente violento durante o Hadeano – o éon mais antigo, que começou com a formação dos planetas do Sistema Solar –, entre cerca de 4,5 bilhões e 3,8 bilhões de anos atrás.

A violência atingiu seu pico durante o evento cataclísmico conhecido como Bombardeio Pesado Tardio, há 3,9 bilhões de anos. Embora muitos acreditem que o evento teria esterilizado a Terra, o novo estudo indica que ele pode ter derretido apenas uma fração da crosta e que microrganismos podem muito bem ter sobrevivido em hábitats subterrâneos, insulados das destruição na superfície.

Ou seja, o estudo aponta que a vida na Terra pode ter começado muito mais cedo do que se imaginava. “Os resultados levam o possível início da vida no planeta para bem antes do período de bombardeamento. Eles abrem a possibilidade de que a vida pode ter surgido tão cedo quanto há 4,4 bilhões de anos, no momento em que os primeiros oceanos devem ter se formado”, disse Oleg Abramov, um dos autores do estudo.

Como qualquer evidência física do Bombardeio Pesado Tardio já foi apagada durante a história do planeta, os pesquisadores usaram dados de rochas trazidas da Lua pelo programa Apolo, registros de impactos na Lua, Marte e Mercúrio e estudos teóricos anteriores para construir modelos computacionais em três dimensões que replicam o bombardeio.

Abramov e seu colega Stephen Mojzsis adicionaram dados variados de tamanhos de asteroides, frequência e estimativas de distribuição de impactos nas simulações, de modo a tentar entender os danos promovidos no planeta pelo evento que estima-se tenha durado de 20 milhões a 200 milhões de anos.

Os modelos computacionais possibilitaram monitorar temperaturas no interior de crateras para estimar o aquecimento e esfriamento na crosta em seguida aos violentos impactos. Os resultados indicaram que menos de 25% da crosta terrestre teria derretido por conta do bombardeio de asteroides.

Em seguida, os pesquisadores multiplicaram por dez vezes a intensidade da destruição promovida pelos impactos, em um resultado que seria suficiente para vaporizar todos os oceanos. “Mas mesmo sob tais condições extremas a Terra não teria sido esterilizada completamente”, disse Abramov.

Segundo os pesquisadores, microrganismos capazes de sobreviver em temperaturas muito elevadas, conhecidos como bactérias hipertermofílicas, poderiam ter resistido ao bombardeio.

“Os resultados sugerem fortemente que nenhum evento desde a formação da Lua foi capaz de destruir a crosta terrestre e de varrer toda a biosfera presente. Em vez de derrubar a árvore de vida, acreditamos que o Bombardeio Pesado Tardio apenas a podou”, disse Abramov.

O estudo reforça a ideia de que outros planetas, como Marte, podem abrigar microrganismos subterrâneos.

O artigo Microbial habitability of the Hadean Earth during the late heavy bombardment, de Oleg Abramov e Stephen Mojzsis, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Relevo de Marte foi esculpido por água


Para os cientistas que estudam o vizinho da Terra, não há mais dúvidas de que Marte teve, em um passado distante, água fluindo por sua superfície. As evidências são cada vez mais claras, como a apresentada por um estudo publicado na edição desta sexta-feira (22/5) da revista Science.

Por meio de dados colhidos pelo robô Opportunity na cratera Vitória, próxima ao equador marciano, um grupo internacional de pesquisadores identificou uma região inteira no planeta que foi formada pela água.

Padrões sedimentares

Segundo o estudo, o padrão de camadas sedimentares na cratera é característico da formação pela ação da água e é semelhante ao encontrado em outras crateras a cerca de 6 quilômetros ao norte. Isso implicaria que a água ajudou a formar toda a região que envolve as crateras.

Steven Squyres e seus colegas da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, analisaram as paredes da cratera Vitória, que tem cerca de 750 metros de diâmetro e 75 metros de profundidade, e caracterizaram o impacto do asteroide que a criou.

Dunas marcianas

De acordo com os pesquisadores, as camadas nas paredes da cratera apontam evidências de antigas dunas, algumas das quais seriam comparáveis em escala com as depositadas no oeste dos Estados Unidos entre 200 milhões e 146 milhões de anos atrás, durante o período Jurássico.

Para os autores do estudo, a principal constatação é que o mesmo fluxo de água que formou as crateras ao norte também foi responsável pela cratera Vitória. Ou seja, a água cobriu toda uma extensa área, não apenas partes dela.

Fonte: Agência Fapesp


terça-feira, 26 de maio de 2009

Onde está o cometa Halley?


O Halley é um cometa famoso que "visita a Terra" a cada 75 ou 76 anos, quando atinge o ponto mais próximo do Sol - o periélio. Sua última aparição foi em 1986. Por alguns dias, ele ficou (mais ou menos...) visível até mesmo a olho nu. Ao se afastar da Terra, o cometa seguiu em sua órbita elíptica.


Segundo cálculos da Nasa, ele está hoje a 4,7 bilhões de km do Sol. Isso é quase 31 vezes a distância entre a Terra e nossa estrela mãe. E ele segue se afastando. Estima-se que o Halley irá atingir o ponto mais distante do Sol - o chamado afélio - no final de 2023. Nesse ano, o cometa estará a 5,3 bilhões de km do Sol, e, então, irá iniciar seu caminho de volta. Somente em 2061 é que deve acontecer a próxima "visita" do Halley - o ano em que ele atinge o periélio novamente. Ainda é cedo para cravar em qual época de 2061 ele estará mais perto da Terra. Mas a Nasa estima que será no mês de junho.

A velocidade do Halley não é constante. Segundo a Nasa, em 1910, ele passou aqui pela "vizinhança" a 70,6 km/s. Já em 1998, sua velocidade era de 63,3 km/s. A órbita do Halley é retrógrada: ele gira no sentido contrário ao dos planetas. Ela também é inclinada "para baixo", formando um ângulo de 18º com a órbita do Sol.

VER OU VER, EIS A QUESTÃO
O esperado cometa frustrou muita gente em 1986

1910
A visita do Halley no início do século 20 foi muito comentada porque era a primeira feita com a existência de tecnologias de gravação. O cometa foi fotografado pela primeira vez e ganhou "fama mundial"

1986
Cercado de expectativas, o Halley ofereceu um espetáculo bem menor. Além da poluição luminosa, que prejudicou sua observação, a interação dele com a radiação solar deixou-o menos brilhante e visível que o esperado

2061
Em 2061, o Halley deverá se aproximar da Terra basicamente do mesmo jeito que na última visita. Ou seja, os problemas de 1986 - excesso de luzes e poluição das grandes cidades - podem se repetir e até mesmo se agravar até lá.

Fonte: Revista Mundo Estranho.

Noite de observação do céu

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cientistas canadenses detectam o mais rápido pulsar já registrado

Que as estrelas rotacionam sobre o seu próprio eixo não é segredo pra ninguém. Nosso Sol, por exemplo, leva aproximadamente 25 dias para dar uma volta completa. Mas o que dizer de uma estrela que gira quase 600 vezes por segundo, lançando ao espaço potentes feixes de ondas eletromagnéticas?

Pois foi exatamente isso que pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, descobriram. Utilizando telescópios instalados nos EUA, Holanda e Austrália, cientistas detectaram o mais rápido pulsar até hoje descoberto, girando à incrível velocidade de 592 revoluções por segundo.

A descoberta do objeto foi feita pelas cientistas Anne Archibald e Victoria Kaspi e anunciado esta semana na publicação Science Express. Segundo o paper (trabalho científico), o pulsar se chama PSR J1023+0038 e tem o tamanho aproximado de uma cidade de grande porte.

"O objeto está localizado há 4 mil anos luz de distância na constelação do Sextante e de acordo com as medições seu período de rotação é de 592 revoluções por segundo. Esse é um dos mais rápidos pulsares que já vimos", disse David Champion, diretor do observatório Parkes, na Austrália.

Pulsar é uma estrela de nêutrons de altíssima densidade, cujo núcleo foi esmagado pela força gravitacional após a explosão da estrela principal. "Nós detectamos a estrela pelos poderosos feixes de ondas eletromagnéticas que esses objetos emitem, que chegam à Terra como uma espécie de farol pulsante", disse Champion.


Disco de Acreção
Normalmente, o período de rotação de um pulsar é de cerca de 10 revoluções por segundo, ao contrário do pulsar "milissegundo" descoberto recentemente. No entender dos astrônomos, a elevada rotação desse tipo de estrela pode ocorrer devido à interação gravitacional de uma estrela companheira nas proximidades.

A companheira descarregaria parte de sua matéria em direção à estrela de nêutrons, aumentando sua velocidade. Atraído, o material formaria um plano e rotativo disco de acreção ao redor da estrela de nêutrons, bloqueando a propagação das ondas eletromagnéticas. À medida que o fluxo de material decresce e cessa, as ondas eletromagnéticas reaparecem e a estrela de nêutrons passa a ser reconhecida como um pulsar. A densidade de uma estrela desse tipo é tão alta que uma simples colher do material estelar pesaria bilhões de toneladas.

PSR J1023+0038 foi descoberto em 2007 através de observações feitas pelo radiotelescópio GBT (Green Bank Telescope), pertencente ao Radio-Observatório Nacional dos EUA, auxiliado pelo telescópio Parkes, que foi usado para adquirir as observações orbitais que ajudaram a caracterizar as propriedades do pulsar.


Evidências
Quando os astrônomos estudaram os dados, descobriram que uma estrela similar ao Sol - a estrela companheira - já havia sido detectada em 1998 e 1999 por outros radiotelescópios. Em observações óticas feitas em 2000, o sistema apresentava claros sinais de um disco de acreção ao redor da estrela de nêutrons, mas em maio de 2002 as evidências do disco haviam desaparecido, o que gerou diversas teorias sobre o comportamento do objeto.

Agora, após as observações atuais feitas com diversos radiotelescópios, as peças do quebra-cabeças se encaixaram. "Até agora nenhum outro pulsar havia apresentado evidências de um disco de acreção e uma rotação tão alta", disse Archibald. "Essa descoberta nos presenteia com um verdadeiro "laboratório cósmico" sem precedentes, que vai permitir estudos muito mais profundos sobre a dinâmica dos pulsares", disse a cientista.


Estrelas de Nêutrons
Estrelas de nêutrons são um dos vários estágios finais da vida de uma estrela. Elas são criadas quando estrelas com massa superior a oito vezes a do Sol esgotam sua energia nuclear e passam por uma violenta explosão, chamada supernova.


Feixe de Energia
O feixe de energia emitido por um pulsar é conseqüência direta do intenso campo magnético e do movimento rápido da estrela. O feixe de partículas altamente carregadas é expulso do pólo magnético da estrela próximo à velocidade da Luz e à medida que a estrela gira pode ser detectado na Terra ou pelos telescópios espaciais.

www.apolo11.com

terça-feira, 19 de maio de 2009

Reformado, telescópio Hubble volta a órbita no espaço

O telescópio Hubble, com baterias recarregadas e novos instrumentos, foi recolocado em órbita nesta terça-feira (19) e está pronto para impressionar o mundo com imagens do Universo. Enquanto isso, o ônibus espacial Atlantis já se prepara para voltar à Terra.

A Nasa (agência espacial dos EUA) informou que, para concluir a atual missão, de US$ 220 milhões, a astronauta Megan McArthur retirou o telescópio do compartimento superior da nave, soltando-o a uma distância de 563 km da Terra.

O Hubble, que pesa 13 toneladas e já deu mais de 97 mil voltas ao redor do planeta, entrou em órbita há 19 anos. Nesse período, revelou à humanidade imagens impressionantes das confins do Universo.

O Atlantis decolou para a atual missão no dia 11 de maio. Sua nave-irmã, a Endeavor, ficou pronta numa rampa de lançamento caso houvesse a necessidade de uma missão ser enviada para salvar os astronautas no espaço.

Para realizar os trabalhos no Hubble, o Atlantis atingiu uma órbita muito acima da faixa na qual fica posicionada a ISS (Estação Espacial Internacional, em inglês).

Folha Online

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Herschel e Planck olharão para o passado e o futuro do Universo

Ponto de Lagrange

Herschel e Planck - apesar de estarem sempre aparecendo assim juntos na imprensa, quase como se fossem um só, esses dois supertelescópios espaciais têm pouco em comum além do fato de que serão lançados juntos, a bordo de um foguete Ariane 5.

O lançamento está previsto para esta quinta-feira, 14 de Maio, às 13:32 no horário de Brasília, a partir do Espaçoporto Europeu na Guiana Francesa.

Ao contrário do Telescópio Espacial Hubble, que orbita a Terra a pouco menos de 600 quilômetros de altitude, tanto o Herschel quanto o Planck ficarão a cerca de 1 milhão e meio de quilômetros da Terra, numa região conhecida como Ponto de Lagrange L2, onde a gravidade da Terra e do Sol virtualmente se anulam.

Telescópio Espacial Herschel

O Herschel é um gigantesco telescópio espacial que coletará imagens do Universo na faixa do infravermelho distante, o que permitirá que ele fotografe alguns dos objetos mais frios do espaço, em uma faixa do espectro eletromagnético ainda pouco explorada pelos astrônomos.

Ele é o maior telescópio de infravermelho já lançado, medindo 7,5 metros de altura e 4 metros de largura e com um espelho primário com 3,5 metros de diâmetro. Isso é quase uma vez e meia o diâmetro do espelho primário do Hubble e seis vezes maior do que o espelho primário do último telescópio espacial na faixa do infravermelho, o ISO, lançado pela agência espacial europeia em 1995.

Com sua incomparável capacidade de capturar as mais tênues luzes e seu conjunto de sensores sofisticados resfriados perto do zero absoluto por mais de 2.000 litros de hélio superfluido, o Herschel irá observar as mais tênues e distantes fontes de radiação infravermelho do Universo, além de efetuar buscas nas faixas ainda não mapeadas do infravermelho distante e terahertz do espectro eletromagnético.

O Herschel será capaz de enxergar através da opacidade da poeira e do gás cósmicos que impedem a observação direta por outros comprimentos de onda, como a luz visível, observando corpos e eventos tão distantes que eles na verdade aconteceram pouco depois da formação do universo, em um esforço para descobrir exatamente como tudo começou.

Mas o Herschel também vai observar objetos extremamente frios um pouco mais perto, dentro de nossa galáxia, tais como as nuvens de poeira e os gases interestelares a partir dos quais se formam as estrelas e os planetas e até a atmosfera em torno dos cometas, planetas e suas luas no nosso Sistema Solar.

Telescópio Espacial Planck

Já o Telescópio Espacial Planck irá enxergar o universo na faixa das micro-ondas. Ele irá mapear a luz fóssil do universo, a radiação remanescente do Big Bang, com uma sensibilidade e uma precisão sem precedentes.

Com seu telescópio de 1,5 metro, o Planck irá monitorar a chamada Radiação Cósmica de Fundo, o remanescente das primeiras luzes emitidas no Universo, cerca de 380.000 anos depois do Big Bang, quando a densidade e e a temperatura do Universo jovem caiu o suficiente para finalmente permitir que a luz se separasse da matéria e viajasse livremente pelo espaço.

Com seu "coração" funcionando em temperaturas extremamente baixas, nunca alcançadas em qualquer sonda espacial, o telescópio Planck alcançará uma sensibilidade sem precedentes na faixa das micro-ondas, gerando imagens com a maior resolução já alcançada.

Medindo as minúsculas flutuações nas temperaturas da Radiação Cósmica de Fundo, os cientistas conseguirão informações 15 vezes mais precisas do que as hoje disponíveis sobre a origem, a evolução e o futuro do Universo, obtidas com o ISO.

Ponto mais frio do Universo

Os sensores de imagem do Herschel serão resfriados até 0,3 Kelvin acima do inalcançável zero absoluto. Já os sensores do Planck atingirão temperaturas ainda mais baixas, 0,1 K, o que bem poderá significar que em seu interior se encontrará o ponto mais frio de todo o Universo.

A temperatura baixa é necessária para reduzir o "ruído" térmico no sensor, permitindo que ele capte imagens de fontes de luz muito fracas.

Fonte: www.inovacaotecnologica.com.br

Telescópio detecta provável pulsar próximo ao Sistema Solar


Cientistas que trabalham com dados do Telescópio Espacial Fermi, da Nasa, confirmaram recentemente a presença de uma intensa fonte de raios cósmicos relativamente próxima do Sistema Solar. Segundo os pesquisadores as partículas possuem carga superior a 100 bilhões de eletrons-volt, provavelmente gerada por um pulsar.

Os dados foram detectados pelo telescópio espacial de raios gama Fermi, através do instrumento LAT (Telescópio de Grande Área) a bordo do observatório.

"Apesar do LAT ser um detector de raios gama de última geração, ele também é uma ferramenta fabulosa na investigação dos elétrons de alta-energia dos raios cósmicos", disse Alexander Moiseev, ligado ao Centro de Vôos Espaciais Goddard, da Nasa.

Os raios cósmicos são elétrons, pósitrons e núcleos atômicos que se movimentam quase à velocidade da luz e que segundo os pesquisadores têm origens em locais exóticos dentro da nossa galáxia, especialmente nos destroços estelares.

Ao contrário dos raios gama, os raios cósmicos são desviados pelos campos magnéticos encontrados no espaço, fazendo com que o caminho dessas partículas não siga um padrão retilíneo. Segundo Moiseev, os sinais captados mostram um número muito maior de partículas com energia superior a 100 bilhões de elétrons-volt.

No entender do cientista Luca Baldini, membro da equipe de Moiseev, se as partículas detectadas tivessem partido de objetos muito distantes, sua energia seria muito menor, mas o excesso de partículas altamente carregadas indica que a fonte está muito próxima.
Baldini explica que caso exista mesmo essa fonte emitindo elétrons e pósitrons sobre nós, sem dúvida é um pulsar.


Pulsar
Estrelas de nêutrons são um dos vários estágios finais da vida de uma estrela. Elas são criadas quando estrelas com massa superior a oito vezes a do Sol esgotam sua energia nuclear e passam por uma violenta explosão, chamada supernova.

Um pulsar é uma estrela de nêutrons que gira muito rapidamente. Durante sua rotação, um feixe de energia que é emitido continuamente atinge a Terra e pode ser detectado em diversos comprimentos de onda, desde a luz visível, ondas de rádio, raios-x e raios-gama.

O período dos feixes emitidos pelos pulsares varia entre 1.4 milissegundo até 8.5 segundos e são tão precisos quanto os relógios atômicos.

O feixe de energia emitido é conseqüência direta do intenso campo magnético e do movimento rápido da estrela. O feixe de partículas altamente carregadas é expulso do pólo magnético da estrela próximo à velocidade da Luz e à medida que a estrela gira pode ser detectado na Terra ou pelos telescópios espaciais.

www.apolo11.com

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sondas gêmeas conseguem prever tempestades solares


Quem acha os serviços de meteorologia ruins por não conseguirem precisão ao prever chuvas com uma semana de antecedência talvez se conforme ao saber que a situação é ainda pior nas tentativas de prever o "clima" na superfície Sol. As tempestades solares, que disparam violentas lufadas do chamado vento solar em direção à Terra, só são descobertas quando já estão acontecendo. Uma dupla de sondas espaciais consegue agora, porém, detectar esses eventos 24 horas antes de eles atingirem a Terra.

O segredo das espaçonaves da missão Stereo, da Nasa, que conseguiu prever erupções, é a visão em 3-D. Como estão afastadas uma da outra, as sondas fornecem imagens do Sol de ângulos diferentes e conseguem observar em profundidade. Lançadas em 2006, a sondas levaram mais de dois anos até serem calibradas a ponto de conseguirem cumprir sua missão.

Aquilo que as Stereo conseguem ver em detalhes sem precedentes são as chamadas ejeções coronais de massa, violentas explosões na superfície do Sol que emitem partículas eletricamente carregadas em altíssima velocidade. O fenômeno é chamado de vento solar.

Essas partículas são extremamente nocivas. O vento solar só não prejudica o que está na superfície terrestre porque o campo magnético do planeta o desvia de sua trajetória normal. Quando se acumulam no céus do Ártico e da Antártida, essas partículas produzem as auroras polares, fenômenos apreciados por sua beleza.

Quem não aprecia muito o vento solar são as empresas operadoras dos satélites que estão na órbita da Terra. Fora da proteção do campo magnético terrestre, os satélites são afetados por tempestades solares, podem ter sua comunicação interrompida e até sofrer danos permanentes. Pilotos de avião sobrevoando regiões polares também podem ter problemas de comunicação. Isso sem mencionar os riscos para a tripulação da estação espacial.

Não há muito o que fazer na Terra contra as erupções solares, mas o primeiro passo certamente é prever com precisão quando elas afetarão o planeta.

"Com as observações das Stereo, podemos extrair as propriedades de uma ejeção coronal de massa e determinar quando ela vai atingir o planeta e com qual velocidade, além de quanta energia vai impactar a magnetosfera da Terra", disse em comunicado à imprensa Angelos Vourlidas, do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, participante do projeto.

O sucesso das Stereo na análise das erupções solares começou a ser divulgado pela Nasa em comunicados informais. Um estudo científico sobre o trabalho foi submetido à revista "Geophysical Research Letters", dizem os pesquisadores.

Folha Online